Aniversário de Ceilândia: explosão de gente e de queixas

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A cidade mais populosa do Distrito Federal, com 489 mil habitantes até 2015, segundo a Codeplan, completa hoje 46 anos. A caminho do cinquentenário, Ceilândia enfrenta os desafios de uma cidade grande que tem o que oferecer, mas também muito a consertar. A maiores reclamações dos moradores centram em infraestrutura e segurança. É também na região que existe uma das maiores favelas da América Latina, o Sol Nascente, que acumula queixas de abandono por parte da população.

“Acho modéstia falar que Ceilândia tem alguns problemas. Infelizmente. Faltam segurança, infraestrutura, lazer. Tudo”, diz o gerente de uma padaria no P Norte Gismar Gomes, 42. Ele mora na cidade há três décadas e reclama que a média de assaltos do comércio onde trabalha é de uma vez por mês. Depois da última investida dos assaltantes, ele precisou trocar o freezer, pois havia marca de um tiro na porta.

Para Gismar, a presença da Polícia é pequena. Quando perguntado sobre as coisas boas que Ceilândia tem a oferecer, ele demora a responder e não lembra de nenhuma. Porém, ainda há uma esperança: “Eu acredito que eu não verei essas mudanças. Se meu filho ver, eu já ficarei feliz”. Ele entende que se houvesse uma boa segurança e incentivo para saúde pública, seria um ótimo lugar, pois seria possível buscar o que fosse para ter uma boa vida.
Origem

A cidade surgiu em 1971, quando mais de 17 mil lotes foram demarcados ao norte de Taguatinga para que moradores de invasões – muitas no Plano Piloto – fossem transferidos. A pedra fundamental foi erguida em 27 de março daquele ano onde hoje está a Caixa D’água, símbolo da cidade. O nome é inspirado na sigla CEI (Campanha de Erradicação das Invasões). Só em 25 de outubro de 1989 que se tornou região administrativa independente de Taguatinga.

Moradores: “Nada para comemorar”
Segundo a Codeplan, o Sol Nascente tinha uma população de 94 mil em 2015, tomando o posto da Rocinha, no Rio de Janeiro, como a maior favela do Brasil. Formada há mais de 15 anos, a comunidade vê os governos passarem e os problemas continuarem. “A realidade daqui é cruel. Só esperamos a regularização e melhorias que não chegam”, afirma o líder comunitário Edson Batista Lopes. Para ele, os desafios de morar ali são inúmeros e não há nada o que comemorar.

A telefonista Livanilda Lacerda, 55, mora no Sol Nascente há 12 anos e reclama que nem esgoto tem. Os assaltos, segundo ela, seriam frequentes. Uma das vítimas recentes foi uma mulher que estava na parada de ônibus na esquina da casa de Livanilda. Sobre as obras que o governo prometeu, ela diz que não terminam nunca e duvida que fique pronta no prazo estipulado. “Não há o que comemorar”, diz.

Jornal de Brasília

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