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Diretor do Hospital de Taguatinga diz que a superbactéria veio para ficar

diretor-do-hospital-de-taguatinga-diz-que-a-superbacteria-veio-para-ficarO diretor do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), Benvindo Rocha Braga, disse ao Fato Online, em entrevista exclusiva, que “a superbactéria é uma realidade com a qual teremos de conviver daqui para frente”.

No fim do mês passado e no início deste mês, quatro pessoas morreram contaminadas com a chamada superbactéria no HRT, o segundo maior hospital do Distrito Federal. Alas foram interditadas, pacientes ficaram isolados e o hospital inteiro teve de passar por higienização para coibir novos casos.

Na primeira entrevista após o surto, Braga disse que a situação está controlada na unidade de saúde, mas pediu a ajuda da população “para evitar que o problema se agrave”.

“Não é para alarmar as pessoas. A superbactéria não se transmite pelo ar. Só que temos, sim, de tomar cada vez mais cuidado”, reconheceu.

Pedido de ajuda

Ao explicar que a maioria das contaminações ocorre por meio do toque, o diretor do HRT convocou os pacientes a “fiscalizar médicos e enfermeiros”.

“Não tenho condições, como diretor, de fiscalizar cada médico dentro do consultório. Peço à população que pergunte mesmo: ‘Doutor, o senhor lavou as mãos? O senhor não vai me tocar sem lavar as mãos’”, comentou.

As declarações de Braga coincidem com a divulgação de um estudo feito pela própria Secretaria de Saúde indicando que 70% dos profissionais nos hospitais públicos do DF não higienizam as mãos durante o trabalho.

Dando continuidade às orientações à população, o diretor do HRT lembrou que, no caso de exames que exigem perfuração de veias, o profissional precisa, obrigatoriamente, usar luvas. “E para cada paciente novo, uma luva nova”, detalhou.

Fechamento do pronto-socorro

Durante os dias mais delicados do episódio da superbactéria, na virada do mês, o pronto-socorro do HRT ficou fechado por seis dias. O diretor do hospital rebateu as críticas feitas à época e sustentou a decisão de interromper o atendimento.

“Ninguém em sã consciência faria algo diferente. Temos 57 leitos e havia 168 pacientes. Sem enfermaria para isolar todo mundo, correríamos o risco de a superbactéria se propagar com o pronto-socorro aberto”, defendeu.

O diretor do HRT emendou ainda que “a superbactéria já existia em hospitais privados e públicos do DF”. “A novidade foi aqui no HRT. Mas essa história não é privilégio de Brasília nem do Brasil. Bactérias resistentes são realidade no mundo inteiro”, sublinhou.

Focos infecciosos

Segundo Braga, o uso indiscriminado de antibióticos, entre outras razões, leva as bactérias a criarem suas resistências. Em ambientes hospitalares, pontuou ele, o problema se potencializa “porque há vários focos infecciosos”.

De acordo com o diretor do HRT, a unidade de saúde “sempre esteve e continuará preparada” para lidar com eventuais situações de tensão em torno da superbactéria.

Fonte:Fato Online

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