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Empreiteiro diz que propinas abasteceram campanha de Lula

thumbsEm sua delação premiada à Justiça, o empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, revelou que o esquema de propina da Petrobras abasteceu a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2006. Foram usadas contas na Suíça para trazer R$ 2,4 milhões de reais para a campanha eleitoral petista. A revista Veja desta semana traz detalhes da operação.

Para comprovar a existência da conta secreta, o empreiteiro apresentou ao Ministério Público extratos com as movimentações. Batizada de Controle RJ 53 – US$ , a planilha registra operações envolvendo 5 milhões de dólares em pagamentos de propina. Além de financiar o caixa dois de Lula, a conta suíça foi utilizada para pagar os operadores do PT na Petrobras.

Entre as movimentações listadas pelo empreiteiro estão pagamentos ao ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco, um dos responsáveis pela coleta das propinas destinadas ao PT.

Os repasses à campanha de Lula foram acertados entre Ricardo Pessoa e o então tesoureiro petista, José de Filippi. Era o próprio empreiteiro que levava os pacotes de dinheiro ao comitê da campanha em São Paulo.

A entrega, segundo o empreiteiro, era cercada de medidas de segurança típicas de organizações criminosas. Ao chegar à porta do comitê, o empreiteiro dizia a senha tulipa . Se ele ouvia como resposta a palavra caneco , seguia direto para a tesouraria.

Se confirmados pela Justiça, os pagamentos via caixa dois são a primeira prova de que o ex-presi­dente Lula também foi beneficiado diretamente pelo petrolão.

Campanha de Dilma

Na delação premiada, Pessoa também revelou que o esquema abasteceu ainda a campanha da presidente Dilma Rousseff em 2014. Contou em detalhes que um emissário do PT, de nome “Felipe”, entrou em contato com ele para esse repasse, que seria disfarçado de doações legais.

Pessoa contou em seu acordo de delação premiada que foi persuadido “de maneira bastante elegante” pelo atual ministro da Secretaria de Comunicação, Edinho Silva, a contribuir com a campanha petista de 2014. A abordagem lhe custou R$ 10 milhões para a campanha de Dilma. Um servidor do Palácio chamado Manoel de Araújo Sobrinho acertou os detalhes dos pagamentos diretamente com Pessoa.

Documentos entregues pelo empresário mostram que foram feitos dois depósitos de R$ 2,5 milhões cada um, em 5 e 30 de agosto de 2014. Depois dos pagamentos, Sobrinho acertou com o empreiteiro o repasse de outros R$ 5 milhões para o caixa eleitoral de Dilma. Pessoa entregou metade do valor pedido e se comprometeu a pagar a parcela restante depois das eleições. Só não cumpriu o prometido porque foi preso antes.

Com agências e revista Veja 

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