InícioDestaqueMotociclismo – Viver de Adrenalina e Velocidade em duas rodas.

Motociclismo – Viver de Adrenalina e Velocidade em duas rodas.

Pilotando ou na garupa, venha conferir o que rola por dentro de um movimento de crescente expressão e aspectos marcantes que está conquistando cada vez mais adeptos em todo o mundo.

Muitos homens e, hoje em dia, também mulheres, curtem a velocidade e sensação de liberdade que uma moto é capaz de proporcionar a quem se aventura nesse que não é apenas um hobby, mas um verdadeiro estilo de vida!

Mas, você sabia que por trás das duas rodas, dos pistões que explodem a cada acelerada, e do ronco do motor há toda uma estrutura e uma sociedade organizada, com cultura própria, história e legado crescente, super vasto e rico? Tanto é que, uma reportagem apenas não será capaz de explanar e explicar tudo sobre “o mundo motociclístico”, mas “siga o comboio” que aqui vou desvendar muitas das questões mais importantes e interessantes sobre o tema.

Vamos começar com um pouquinho de história, a respeito da criação das motos, afinal de contas, sem as motocicletas não existiria o motociclismo, os Moto Clubes, e tudo mais que se refere a esse mundo em contínua evolução e projeção.

O surgimento das primeiras motos:

A motocicleta foi inventada ao mesmo tempo por um americano (Sylvester Roper) e um francês (Louis Perreaux), e por mais incrível que pareça, sem sequer se conhecerem, apenas pesquisando em seus países de origem, em 1869. Já no Brasil, a história da motocicleta começa em 1910 com a importação de muitas motos de fabricação europeia e algumas americanas. No final da década de 1910, já existiam 19 marcas rodando pelo país, entre elas as americanas Indian e Harley Davidson, também rodava por aqui a marca Henderson, entre outras. E a grande variedade de motos, impulsionou o aparecimento de diversos grupos e alguns tipos de provas e competições entre as possantes da época. No final da década de 1930 surgiram novas marcas, algumas dessas japonesas. No entanto, durante a segunda guerra mundial, as importações foram suspensas, mas retornaram com força total, logo após o término do conflito.

A maior parte das pessoas (sobretudo homens), que se interessam por motociclismo, a princípio, são atraídos pela adrenalina, pela sensação de liberdade e para desestressar do dia a dia, e o fazem em “modo solo”, porém, à medida que a paixão pela moto, pelas estradas e as viagens vão aumentando, logo concluem que chegou a hora de procurar uma “galera com a mesma vibe”. E é aqui, que acabam encontrando os Moto clubes, Moto Grupos e, no cenário Cristão, os Ministérios Motociclísticos, que iremos aprofundar acerca do tema trazendo os detalhes mais relevantes e incríveis dessa “nova” vertente na segunda reportagem sobre motociclismo.

*O aparecimento do primeiro Moto Clube:

Ao contrário do que alguns imaginam o primeiro Moto Clube não foi o famoso Hells Angels, mas, o Yonkers bicycle club, fundado em 1879 e que mais tarde em 1903 vieram a se chamar Yonkers motorcycle club – NY, formado por 25 homens que vestindo um uniforme marrom acinzentado com um boné polo com as iniciais do clube em vermelho e dourado se tornaram, assim, o legitimo primeiro clube de motociclistas do mundo.

Até o início dos anos de 1940, as pessoas se filiavam aos moto clubes para passeios em grupo, e eventos familiares ou esportivos. Porém, após a segunda guerra mundial, começou a surgir um outro tipo de Moto Clubes, formados por ex-militares que eram vistos como arruaceiros e encrenqueiros, e teriam visto no motociclismo uma forma de buscar a adrenalina que tiveram durante a guerra, além de terem visto algumas outras vantagens em andarem em grupo, e aqui sim, chegamos ao tão conhecido, e mundialmente famoso Moto Clube, HELLS ANGELS.

Formado nos EUA em 17 de março de 1948 na Califórnia, foi fundado por Militares, ex combatentes da guerra, que depois de voltarem da batalha resolveram montar um grupo de homens que além de terem em comum a paixão por motocicletas, passaram a defender seu grupo com a própria vida e adaptaram as regras da disciplina militar dentro da irmandade, formado por cargos eletivos e um estatuto severo. Aos poucos, esse tipo de pratica foi atraindo cada vez mais pessoas de índole violenta e questionável, que fundavam e se associavam a eles ou a novos motos clubes, já não apenas para rodarem com suas motos ou para confraternizem, mas para formarem verdadeiras “gangues motorizadas”.

Quanto ao Hells Angels propriamente dito, seu movimento foi ganhando popularidade, fama, respeito e também sendo temido à medida que crescia, aliás, a respeito do crescimento e projeção do grupo, aconteceu que os membros mais antigos, visando permanecer organizados e seletos, resolveram restringir o acesso e a entrada ao grupo, passaram então, a formular uma serie de normas e regras que mantivessem os participantes cumplices uns dos outros e com uma forte expressão na sociedade. Umas dessas características marcantes é o fato de que eles são um moto clube do tipo 1 por cento (1%).

Mas o que significa isso?

A primeiro e principal motivo de ter surgido a expressão “um por cento” (1%) é o fato de a própria sociedade, considerava os, motociclistas e principalmente  membros de motoclubes como pessoas a margem o do que dizia- se ser o “politicamente correto” e por isso, os participantes do movimento passaram a se auto intitular 1% da sociedade.

No entanto, significa também, entre outras coisas, que quem decide participar de grupos com essa visão literalmente levantam a bandeira dos seus clubes apaixonadamente, significa também, que, uma vez membro do grupo, para sempre membro. Não é permitido, a saída de membros dos motos clubes que adotam essa visão, para que voltem apenas a serem meros usuários de motos nas estradas a fora, e nem tão pouco que se tornem membros de outros clubes, ou sequer pensem em fundar os seus próprios moto clubes.

E assim, o que a princípio era uma pratica de todos e para todos que simpatizassem, começou a se fechar em um círculo seleto e nada bem visto socialmente, fazendo com que a maioria dos moto clubes da época fossem considerados foras da lei. Algumas práticas como encontros regados a muita bebida alcoólica, vestimentas sempre pretas e rústicas, a vulgarização e objetificação das mulheres que serviam e divertiam os membros desses grupos, e algumas brigas, corroboraram para essa imagem mais intimidadora e depreciativa dos moto clubes para sociedade em geral. Hoje, esse meio e estilo de vida ganha cada vez mais adeptos entre outros motivos, por serem considerados, principalmente, muito unidos, sérios, organizados comprometidos, divertidos, ajudadores uns dos outros e sem muitos preconceitos. Uma dessas mudanças significativas foi o surgimento de novas “denominações” além dos tradicionais MC (Moto Clubes) como os MG (Moto Grupos) e MM (Ministérios Motociclísticos), também houveram mudanças quanto a burocracia acerca dos Moto Clubes que passaram a ter a obrigatoriedade de registro e obtenção de CNPJ, e a flexibilização quanto a participação de mulheres ou mesmo a aceitação de Moto Clubes inteiramente femininos no meio motociclístico foi outra alteração bastante relevante.

*Tipologias e nomenclaturas e diferenças básicas: 

MC- Moto Clube, obrigatoriedade de abertura de CNPJ, recolhe contribuições dos membros e impostos para o governo, tem estatutos, alguns no formato 1%, tem colete, difícil associação e mais difícil ainda desassociação.

MG- Moto Grupo associação livre e por afinidade, não tem estatuto, quase sempre não tem colete, apenas blusa personalizada, grupo de amigos que gostam andam de moto, livre desassociação.

MM- Ministério Motociclístico, pode ou não ter CNPJ, mas tem estatuto, tem colete, média dificuldade de associação e média desassociação.

*Os principais tipos de grupos acerca da vivência e prática motociclística são esses, acima citados, embora, existam algumas outras siglas elas são pouco ou não reconhecidas e em muitos casos, até mal vistas pelos motociclistas em geral que prezam pela ordem e organização do meio motociclístico.

 *Alguns dos maiores e mais famosos Moto Clubes do Brasil e do Mundo são:

*Yonkers Motorcyrcle Club (EUA)

* Hells Angels – California (EUA)

*Moto Clube do Brasil (Brasil)

*Abutres Motoclubes (Brasil), mas atuante em países como Espanha, Portugal e EUA

*Vintage Motor Cyrcle Club Limited (EUA)

*Bodes do Asfalto (Brasil)

*Insanos (Brasil)

*Kamikases (Brasil)

* Águias do Asfalto (Brasil)

*Moto Clube Inquebrantables (México)

*Unbroken Heads (Dinamarca)

*Divison Capital (México)

 

Alguns Moto Grupos:

*Fenix (BR, Brasília)

*Moto Cerrado (BR, Brasília)

*Giro Total (BR, Rio Grande do Sul)

*Lobos Implacáveis (BR, Goiânia)

*Rota 418 (BR, Minas Gerais)

 

Ministérios Motociclísticos:

*Sepulcro Vazio (BR, Brasília) com filiais em vários estados

*Êxodus (BR, Rio de Janeiro) com filiais em vários estados

*Nação Eleita (BR, Brasília) com filais em vários estados

*Esquadrão de Cristo (BR, Brasília)

*Mundial de Missões (BR, Brasília)

*Motociclistas de Sião (BR, Rio de Janeiro)

Existe ainda, milhares de outras equipes ao redor de todo o mundo, dos mais antigos aos mais recentes e ainda os que surgem dia após dia. E até por isso, os motociclistas sejam de moto clubes, moto grupos ou ministérios motociclísticos apesar de suas diferenças em muitas coisas, em uma, concordam unanimemente: o meio precisa ser regido por normas (código biker) que tragam ordem e credibilidade aos seus adeptos, até para que ainda que cresça e se popularize cada vez mais esse estilo de vida, ele não venha a ser banalizado e se perca com o tempo.

*Mas afinal de contas, o que é que fazem os membros das irmandades motociclísticas?

A maioria desses grupos independente da sigla denominacional a qual pertencem, se são (MC, MG ou MM) são favoráveis a obras sociais e filantrópicas (mesmo os grupos que não se declaram “religiosos”), gostam demais desse tipo de atividade. E além disso, a rotina de vida e eventos dos motociclistas, seja dentro ou fora do Brasil é intensa, eventos promocionais em geral, shows, confraternizações, aniversários de membros ou dos próprios grupos e viagens são constantes. A cada novo fim de semana, feriado e as vezes até em dias de semana a agenda dessas irmandades são sempre recheadas de compromissos e projetos.

Com grande projeção nacional um desses eventos que reúnem milhares de motociclistas de todos os tipos de moto clubes, moto grupos, e de ministérios motociclístico e ainda contam, com todo tipo de simpatizante ao motociclismo, com ou sem moto, é sem dúvida o Brasília Capital Moto Week que este ano de 2022 irá se realizar em julho e já está em sua 17ª edição.

No entanto, uma nova versão desse evento está surgindo em Brasília e já promete ser tão ou mais famoso e movimentado do que o tradicional Moto Capital, intitulado de “BMF” (Brasília Moto Festival) está acontecendo no parque de exposição Granja do Torto desde o dia 20 e irá até 24/04/2022 com um formato e programação bem parecido com o já consagrado Moto Capital, contará com shows, local para alimentação, parque de diversões para as crianças e atrações diversas, o diferencial desse tipo de evento no entanto, como já acontece há alguns anos fica por conta dos espaços que são ocupados por Ministérios Motociclísticos (grupos cristãos que adentraram e aderiram pouco a pouco a cultura e aos costumes “biker”) que proporcionou que o meio se tornasse mais familiar, agradável e ainda cheio de fé e bênção. 

Algo um tanto polêmico mas levado extremamente a sério é o fato de que não é admitido no meio motociclístico de moto clubes ou mesmo ministérios motociclísticos o uso de coletes falsos (sem ligação a um grupo real) como se fosse uma fantasia, ou sem merecer (sem passar pelas etapas de iniciação e regras biker de acesso e inclusão em um MC, ou MM) pois, isso pode gerar conflitos sérios causando a ira de alguns, com consequências desastrosas entre pessoas que realmente amam e fizeram do motociclismo um estilo de vida. Claro que, mesmo o meio sendo organizado e fazendo seus esforços para mantê-lo sério e ordeiro eles mesmos (moto clubistas etc..) estão subjugados a normas e leis dos países onde existem e atuam, e por isso não vale de tudo para instruir ou impor a cultura e código de ética (o chamado, código biker) para os novatos, desavisados, entusiastas ou mesmo aos “zuadores” que se empolgam em querer ingressar nesse meio sem os devidos conhecimentos e respeito.

 

Por: Aline Diniz https://www.instagram.com/alinedinizofc/

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