InícioColunistasNovos desafios do marketing político - Ser ou não ser candidato?

Novos desafios do marketing político – Ser ou não ser candidato?

 

A vida de político não é tão fácil como pode parecer para algumas pessoas. Por isso, quem pretende disputar um cargo eletivo deve ter consciência de que esta decisão acarretará diversas consequências para vida profissional e pessoal do candidato.

É importante que no momento de decidir pela candidatura deva ser considerado se o cargo que se pretende disputar enquadra-se no perfil e nas habilidades do pretenso candidato. Existem candidatos que têm ótimas habilidades nas funções legislativas, outros têm mais habilidades ocupando cargos executivos. Daí a importância de se levar em conta inicialmente as habilidades individuais. Afastada a primeira dúvida quanto ao cargo a ser disputado, o candidato deve definir de forma clara os objetivos a serem alcançados quando do desempenho das funções, pois tais objetivos serão utilizados para formar o convencimento do eleitor.

Além disso, o exercício do cargo eletivo requer tempo; muito tempo para o efetivo desempenho das atividades parlamentares ou executivas. Razão pela qual conciliar atividades profissionais e políticas raramente é possível. Consequência disso é a queda na qualidade do trabalho, tanto o profissional quanto aquele necessário ao bom desempenho do cargo eletivo, o que culminará em inevitável escolha entre uma ou outra, sob pena de insucesso em ambas. Um exemplo disso é o político médico.

Não é só partindo para a disputa que se faz o nome. Para tanto devem ser consideradas outras situações antes de decidir pela disputa, tal como a situação psicológica do candidato, o cenário político da região onde se pretende disputar a eleição, a situação partidária, além de outros fatores julgados relevantes à candidatura.

É preciso avaliar se o candidato está pronto para receber agressões dos adversários e dos eleitores, pois a vida do candidato será investigada e os opositores farão todas as manobras possíveis para atingi-lo direto ou indiretamente. Os ataques poderão ser diretos, explícitos ou velados de forma anônima. Por isso é importante avaliar os erros do passado, retirando os esqueletos do armário, para que se possa preparar para os ataques. Se o candidato não estiver pronto para enfrentar tais situações, é prudente ficar fora da disputa.

Quem disputa uma eleição deseja a vitória, como é óbvio, mas é fundamental a realização de estudos sérios, por meio de pesquisas, objetivando conhecer as reais chances da tão desejada vitória. É muito importante que o candidato neste momento esteja auxiliado por pessoas isentas e sem interesse direto na disputa. Os diagnósticos obtidos destes estudos podem ser positivos ou negativos, e caso apontem para a derrota na eleição, deve-se avaliar se há chances de modificar a situação incialmente desfavorável, de modo a valer a pena partir para a disputa.

Na mesma proporção que se avalia os riscos da derrota, o candidato deve se preparar para as mudanças que sua eventual vitória acarretará na sua vida pessoa e profissional, vez que ganhar uma eleição pode trazer mais prejuízos do que benefícios na vida pessoal do eleito. É comum candidatos bem-sucedidos profissionalmente começarem a  ter prejuízos financeiros e familiares após uma eleição vitoriosa.

Política partidária e família são áreas conflitantes. Se a família não abraça a decisão do candidato ir para a disputa, ele terá sérios problemas. Por isso, antes de decidir pela candidatura, uma conversa franca com os familiares é fundamental, pois no momento que se inicia uma disputa eleitoral as relações familiares não serão as mesmas, já que atividade política, em muitos momentos, exigirá certo distanciamento da família; podendo gerar conflitos de interesses no âmbito familiar.

Campanha eleitoral custa caro, independente do tamanho do colégio eleitoral onde ocorre a disputa. Por isso, a capacidade de ir para a disputa com recursos próprios e a capacidade de arrecadação de recursos para a campanha é um dos maiores desafios para aqueles que se candidatam pela primeira vez.

Por fim, é importante lembrar que a política é fascinante. Também se constituído numa arte de fazer o bem. Nela caminham juntas a traição e a lealdade. Os candidatos mais preparados, em todos os sentidos, terão facilidade de percorrer o caminho até a vitória, deixando os mais frágeis à margem da disputa.

11755095_876233345745130_6348137815893345349_nCRISTOVÃO PINHEIRO é Jornalista, Publicitário e  Consultor Político. Coordenou e participou de diversas campanhas eleitorais, presta consultoria em Marketing Político e é membro da IAPC – International Association of Political Consultants, associação que congrega os melhores profissionais de Marketing Político do mundo.

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